Algumas Parábolas de Gestão:

Inicialmente apresento duas parábolas usualmente utilizadas em cursos de sistema de gestão, ambas de autores desconhecidos, sendo a primeira recebida por email e a segunda uma adaptação

1.    A Experiência – Por que admitimos certas coisas como verdades supremas?

“(...) Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles porque batia em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: ‘Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui...’(...)”

 

2.    O Trovador – Uma visão holística sobre as realizações.

“(...) O trovador

Eram épocas difíceis, guerras na iminência, reinados a cair, tiranias e doenças assolando a humanidade.

O vivido trovador em seus quarenta bem vividos anos, muito acima da média em sua época, conhecia essas dificuldades e entendia o seu papel de quebrar as tristezas dos povos sofridos e desprovidos de sonhos.

Em uma de suas travessias pela Península Ibérica, o trovador caminhava solitário por uma estreita estrada com sua viola nas costas. Era outono e as folhas caíam em sua frente, o barulho das folhas secas quebrando sob seus pés cansados era o sinal de que ele ainda existia neste vasto mundo.

Repentinamente por entre as árvores avistou no alto da colina uma movimentação de pessoas. Sem hesitar foi ao seu encontro.

No alto da colina havia três jovens trabalhando. Antes de alegrar o momento com sua música, se pôs a conversar com cada um deles.

Ao primeiro perguntou: “Que estás fazendo jovem?”

“Não atrapalhe. Estou assentando tijolos.”

Foi ao segundo e repetiu a pergunta: “Que estás fazendo jovem?”

“Estou construindo um muro. Se puder me dá uma mão que eu preciso terminar hoje.”

Não contente para matar sua curiosidade, foi ao terceiro e repetiu a mesma pergunta: “Que estás fazendo jovem?”

“Estou construindo uma capela, onde meus descendentes poderão ser educados e poderão sonhar por um mundo melhor.”

 

O trovador se alegrou e ali ficou ajudando na construção e no final da tarde tocando sua música.

Fim (...)”

 

Agora apresento a parábola de autoria própria a seguir, desenvolvida em meados de 2003 após ler o best-seller “Quem mexeu no meu queijo?” de Spencer Johnson.

 

3.    O oásis do clã – uma personalidade movida a desafios pela melhoria contínua e inovação

“Um velho conto, a muitas eras perdido pelos desertos, lhes conto.

Eram épocas difíceis, povos nasciam e povos desapareciam na imensidão de areia sem fim.

Havia um homem visionário, chefe de um grande clã de guerreiros que conduzia seu povo a uma contínua vida em guerra e dessa forma sobrevivia consumindo os recursos dos derrotados. Esse era o seu modelo de vida.

O chefe era um homem sábio que sabia que a única forma do seu clã sobreviver seria buscar comida e água em outros locais, pois no deserto não valia a pena cultivar e colher frutos. 

Em dez anos, de cinco guerreiros passaram a mais de cem. Como em todos os grandes clãs, ideais e culturas diferentes existiam. Para manter seu poder, na premissa de que seu modelo ainda era o correto, o chefe estrategicamente convencia os outros a desertar aqueles que se posicionavam contra.  Como? Colocações sem um contexto e jogadas emocionais levando a dúbias interpretações. Informações insuficientes para uma visão holística e a desconsideração da razão criavam um modelo anarquista daqueles pobres coitados isentos de poder, mas admitido como ameaçador ao clã.

E assim foi durante 15 longos anos.

Chegou-se um tempo em que apenas dois clãs permaneciam em existência no vasto deserto, o clã de guerreiros e outro que não tinha o espírito de guerra, pois vivia em um grande Oásis, talvez o último.

Era a oportunidade que faltava para o agora velho chefe. Os guerreiros ganharam o Oásis, pois o outro povo preferiu fugir rumo a um destino secreto, mas não incerto. O todo poderoso chefe finalmente declarou paz e que ali viveriam, pois havia fartura.

Um novo modelo de vida ele determinou.

Os anos passaram, os guerreiros se acomodaram e suas armas viraram lenha e utensílios domésticos. As crianças, agora homens e mulheres não sabiam mais buscar nada além de seu Oásis.

Mas nada na vida é eterno. Em 20 anos esgotou-se a água e depois a comida.

Não podiam mais guerrear, pois não havia outro de quem ganhar. Resolveram então ali ficar esperando uma nova era de fartura em seu lar.

Meses se passaram, alguns resolveram fugir rumo ao deserto buscar novos sonhos, mas a maioria ali pereceu.

No fim de seus dias o chefe tentou conduzir os últimos pelo deserto, mas nunca mais dele se ouviu falar.

E aqueles antigos moradores do Oásis?

Esses atingiram o deserto de água e sabiam que ali também o sal a vida não permitiria por longos anos. Mas nas margens, enquanto puderam, cresceram e a outros encontraram buscando os mesmos sonhos, então estabeleceram um modelo de vida integrada, olhando os pássaros mensageiros, construíram uma embarcação e se aventuraram ao mar e um novo continente rico, eles encontraram e seus descendentes hoje são milhões.

Os modelos de vida devem ser flexíveis e olhar para o além do horizonte, engajando na sua melhoria, aqueles que dependem de nós e de quem dependemos. O entendimento abre os caminhos da oportunidade.”

 

Esse pequeno conto foi colocado para subsidiar uma reflexão quanto ao nosso papel na sociedade e sobre a necessidade de questionarmos, discutirmos e pensarmos sistemicamente.

4.    A Ursa Maior

“Contava a matriarca Ursa Maior aos menores, a história do Universo.

No início era um grande vazio até que pequenas partículas começaram a se juntar, a energia virava massa e a massa virava energia.

Em pouco tempo relativo o mar vazio estava povoado de nuvens gasosas, planetas e desordem.

A Ursa Maior a cada dia contava uma de suas aventuras ou a de seus irmãos mais novos. Até que um dia ela finalizou a história dizendo que os pequenos é quem continuarão a história do Universo.

O menor dos menores perguntou: Por que vivemos?

A Ursa Maior respondeu: Um dia, uma eternidade após sua vida, você iluminará o caminho de outras vidas!

E nesse instante a Ursa Maior explodiu gerando uma intensa luz.”

 

5.    Vamos complementa agora com alguns outros textos que possam interessar:

Inusitadamente em dedicação a Sandman e claramente ao seu criador, o escritor Neil Gaiman que despertou um cenário de fantasia caótica e holística na mente de uma geração ao criar a família dos 7 Perpétuos (Sonho, Destino, Delírio, Destruição, Desejo, Desespero e Morte).

Sandman também chamado de Morpheus, o senhor dos sonhos ou simplesmente Sonho, menos por suas estórias, mais pelo seu personagem, contextualiza uma vida.

“(...) Ao inalcançável Sonho, um sonho inalcançável nascia.

O que antes era um sonho sustentável por Sonho, agora é insustentável.

E o Perpétuo Morpheus, no caos de uma eternidade, sentiu que a luz emanada do sorriso do Amor, despertava em seu eu a mais profunda dor do viver cada grão de areia da existência de sua imortalidade. A saudade o fez descobrir o quão frágil era o seu reinado. Ao topo do abismo da irmã Morte, lembrou-se das premonições de Desejo e então motivado por Desespero, fechou os olhos e criou seu próprio sonho. As paredes da muralha começaram a derreter. O sempre alienado Destino, de sua biblioteca sentiu um calafrio e seus livros viraram cinza e em outro paralelo Delírio viu sua loucura desaparecer junto com sua visão, as cores morreram. Do outro lado do abismo sem fim, Destruição abriu os braços e proclamou o fim da realidade. (...)” (Yokote, A. Y., 2002)

Estranho, mas tudo isso para afirmar pessoalmente que não existem sonhos inalcançáveis e os destinos não estão traçados.

No mundo real temos:

·         pessoas delirando sobre um paradigma,

·         só que destruímos paradigmas quando temos a vontade de aprender.

No mundo real estamos:

·         mergulhados em desejos complexos,

·         mas montamos o quebra cabeça quando temos o amor por aquilo que fazemos.

Não se desesperar em meio a dificuldades, não matar os sonhos.

Para mim a questão é construir o meu mundo sustentável.

Por mais estranho que toda esta estória e reflexões sejam, a moral da questão é:

 “Não se prender aos modelos atuais, verdades supremas não existem. Enquanto que há 500 anos a vida era uma questão divina, hoje a vida é uma gestão de riscos e sonhar me leva a inovar.”

 

6.    Por fim, algo escrito a muitos anos mostrando uma predição quanto ao mundo frente o desrespeito com o Meio Ambiente

(...)

 

Afundamos em nós mesmos.

Toda a decadência que eu sinto nada mais é do que o fruto.

As cinzas crescem, a água seca e o sentido se deteriora.

A frieza do mundo sublima os gritos da verdade.

 

Um alicerce ajoelha-se e não mais levanta,

O sangue que das cinzas brota, corrói sua matéria subjetiva.

Efluentes escorrem do seu rosto sugando seus sentidos,

Como as estrelas, uma fissão concretiza seu fim.

 

Ao longe um outro ser vaga, face ao chão, passos contínuos, um silêncio mortal.

É o reflexo a última existência.

O infinito vive na profundidade de seu olhar

Com suspiros atravessa montanhas e oceanos como areia e lágrimas.

As ondas rasgam o vento feito a morte à alma.

 

A cada piscar fico mais cego, caminho por todos os ângulos cardeais,

Mas não sei onde estou, no centro ou numa extremidade, quem saberá…

Batimentos interiores me levam a noção do tempo. Sonho?

A existência cartesiana, já desconheço.

 

Onde por eternidades, vidas cantavam à luz do sol,

Restam-se pedras e pedras, poeira e dor,

Sombras infinitas da realidade lhes recobrem.

 

No horizonte um brilho me chama, é apenas uma pedra?!

 

Não! O que vi era o fim!

 

Uma deusa petrificada, expressava-se em seu rosto toda a verdade que eu ignorava,

Entre seus ramos, um anjo adoecia, dele ainda vingavam-se pequenos diamantes d'alma.

 

O pouco do sangue que me resta na carne começa a ferver, um grito de raiva emerge da profundeza obscura.

Ninguém, nada me houve, o vazio expande.

Uma imensidão negra nasce expulsando todas as dores.

 

Inconseqüentes foram os atos da raça humana.

Muitos profetas trouxeram sua teologia,

Todos falharam com seus seguidores.

Muitos filósofos tornaram-se guerreiros,

Mas foram devorados antes de ensinar a corrente essencial da vida.

 

(...) Yokote, A. Y. (1995)                                          

E ao final desta passagem eu me pergunto, quando iremos acordar?

Se não pararmos para pensar agora, em poucas gerações, não haverá:

·         árvores para nos proteger,

·         comida para comer,

·         água para beber,

·         ar para respirar,

·         mundo para se viver,

·         vidas para compartilhar.

 

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